Cinema e TV

“Procura-se um amigo para o fim do mundo”: o longa que faz rir e chorar sem apelos!

Eu sou bem eclético culturalmente e isso também se aplica aos filmes que gosto. Se tratando de comédia, vou do 8 ao 80, ou, sendo mais claro, vou de “American Pie”, até “Procura-se um amigo para o fim do mundo”. Eu curto uma comédia americana escrachada mas, de vez em quando é bom lembrar que é possível se fazer rir sem partir para apelos como nudez ou palavras de baixo calão que dão um ar muito genérico a qualquer filme, de modo que você morre de rir mas, talvez no final nem lembre o nome dos personagens.

Há tempos eu não via uma comédia-romântica – se assim podemos classificar – como “Procura-se um amigo para o fim do mundo”. Antes de ir ver o filme, que na verdade era apenas uma opção extra para não entrar numa sala cheia de gente e ver como todo mundo “Os Mercenários”, eu dei uma pesquisada e já me animei com os protagonistas, Steve Carell – que posso dizer que é um dos meus atores/comediantes favoritos – e a maravilhosa Keira Knightley, que pulou para a fama junto com a trilogia “Piratas do Caribe”. Resolvi dar uma chance ao longa e de cara posso dizer que o ingresso foi muito bem pago.

Eu já vi alguns longas que contam a famosa profecia do fim do mundo, mas nunca algum abordando o tema a partir da comédia-dramática. Logo no início o personagem de Steve, Dodge, é abandonado pela esposa no momento em que os dois escutam a notícia sobre o fim no rádio do carro, ela simplesmente abre a porta e sai. É, são nos momentos mais complicados que o nosso impulso da verdade fala mais alto – ela não o amava de verdade e resolveu então aproveitar os últimos dias até a terra explodir do jeito que gostaria de ter aproveitado toda sua vida, sem Dodge.

Mal conheceu o vizinho, pulou pela janela e dormiu no sofá dele…americanos kkk.

Daí por diante somos levados por um caminho emocionante que começa no momento em que Dodge encontra Penny – personagem de Keira – na janela de seu apartamento que dá na escada de incêndio. Que forma estranha de um primeiro “encontro” né? Ao menos é bem mais criativo do que um tombo no meio da rua. E é por ali mesmo que Penny entra em seu apartamento e também em sua vida – para o resto de sua vida ♥ É, eu sei que estou romântico demais, mas o casal me cativou, fazer o que?

Cada um com um sonho, motivados pelo fim do mundo, ela quer reencontrar a família, ele um antigo amor, não sabendo que já estava com aquela que lhe faria viver da melhor – e mais engraçada – forma seus últimos dias de vida. A cara de boba de Penny e o jeito recatado de Dodge junto com as ótimas e hilárias falas dos personagens foram me fazendo dar risadas de assustar quem estava ao meu lado e que não pensei que fosse soltar antes de ver alguma cena semi-obscena, como de costume nas produções que querem ver nossos estômagos doerem de tanto rir.

Penny, Dodge e o cachorrinho que deixaram pra ele quando o encontraram desacordado no parque depois de beber um litro de limpa-vidros (kkk).

Essas características dos personagens protagonistas logo se revelam suficientes pra um começar a se apaixonar pelo outro. E logo aparece a primeira prova de amor, quando Penny desiste de reencontrar a família  para dar a Dodge a chance de rever seu amor da juventude. Revendo pessoas nesse percurso maluco, eles por fim chegam a casa dessa mulher onde Dodge, resolve apenas deixar uma carta para essa moça – como ela fez com ele – não que ele tenha percebido que não à amou mas, sim porque viu que não adiantava correr atrás de um amor passado, quando se tinha pela frente um curto futuro a viver. E porque não viver esse futuro com alguém que você conheceu no presente e que já provou que te ama, mesmo que involuntariamente?

Dodge ensinando Penny a tocar sua gaita numa praia – uma das melhores cenas, sem dúvidas.

E é aí que ele finalmente resolve se declarar pra Penny, do jeito que ela merece e eles então saem passeando um tanto sem rumo, passam por uma praia onde há vários casais que resolveram jurar amor eterno nas últimas horas que restam e depois viajam até a casa do pai de Dodge, com quem ele nunca se deu bem pelo fato do mesmo ter saído de casa, abandonando ele e sua mãe. Mas, o que são mágoas do passado que se tem de um pai quando uma pedra de tamanho inestimável está para atingir seu planeta em alguns dias? Uma das lições que o longa traz é mostrar o quanto o perdão é importante e o quanto somos avessos a perdoar. Nunca é tarde pra isso, mas o quanto antes o fizermos mais tempo nos resta pra viver do lado dessa pessoa.

Eis que chega o dia do ultimato e Dodge resolve fazer algo por Penny, apesar de saber que isso lhe doerá muito. Ele à leva adormecida para um pequeno avião de seu pai e pede que ele à leve para ver sua família, para que ela passe com eles as últimas horas que restam para a humanidade enquanto ele, retorna para seu velho apartamento. Quanto ele está pronto pra passar esses momentos finais sozinho dá de cara com Penny na sua sala que chorando de medo querendo saber porque ele fez aquilo ainda consegue tirar de mim umas risadinhas – como não amá-la?

Escolher passar os minutos que te restam em vida ao lado de um vizinho que você só conheceu porque estava jogada na escada de incêndio que dava pra janela dele, à passar com sua família foi prova de amor mais que suficiente pra eles deitarem na cama um de frente para o outro com os olhos lacrimejando à espera da explosão. Eu já estava com muito medo de sair da sala de cinema decepcionado porque eles ligaram a tevê e o jornalista disse que a rota daquela grande coisa que iria atingir a terra mudou e todos estavam salvos. Mas, pra minha grande alegria isso não aconteceu.

Eles continuaram lá, dizendo que se amavam só com os olhos, quando se ouvem as primeiras pequenas explosões. O medo de Penny e a forma de Dodge acalmá-la são capazes de te fazer chorar. Das pequenas explosões causadas pela rocha fragmentada até um grande clarão da maior explosão que aos poucos foi cobrindo todo o telão até deixá-lo totalmente branco e eternizando assim aquela amizade bizarra, sincera e cheia de brincadeiras babacas num amor de curto prazo mas, tão profundo quanto um de uma vida inteira.

Bom, muitos outros personagens passaram pela trama e houveram muitos outros momentos hilários mas, pra não me prolongar, resolvi focar neles dois e nessa história de amor maravilhosa deles. Eu sei, podem me julgar pelo meu romantismo bobo kkk, mas eu garanto que se forem assistir – o legendado é claro haha – não vão se arrepender de forma alguma 🙂 Até o próximo filme!



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